A forma de saber se um médico é especialista é conferir o registro dele no Conselho Regional de Medicina (CRM). Para as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), especialista é o médico que tem a especialidade registrada no CRM, com um número de Registro de Qualificação de Especialista, o RQE. O registro é público e pode ser consultado por qualquer pessoa, de graça, na busca por médicos do portal do CFM.
Esta página mostra o passo a passo da consulta como ela está hoje, explica o que cada campo do resultado quer dizer e como comparar o que aparece ali com o que o médico anuncia.
O que conta como especialista
A página do CFM sobre a Comissão Mista de Especialidades resume a regra: considera-se especialista o médico que possui RQE regularmente registrado no CRM, e nessa condição ele pode fazer publicidade da especialidade ou da área de atuação, sempre acompanhada do número do RQE. A Resolução CFM nº 2.336/2023, que trata da publicidade médica, diz o mesmo no art. 13: é considerado especialista todo aquele que apresentar RQE.
O caminho até o RQE passa por um título. O médico obtém o título de especialista por residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou por concurso da Associação Médica Brasileira (AMB) com a sociedade da especialidade, e depois registra esse título no CRM. O registro gera o número de RQE. Pós-graduação lato sensu, curso livre ou certificado de associação não geram RQE.
Passo a passo na consulta do CFM
Conferido na página do CFM em 28 de setembro de 2026:
O que cada campo do resultado mostra
O cartão de cada médico na consulta traz estes campos:
- Nome. Quando o médico usa nome social ou indígena, a consulta mostra esse nome e, abaixo, o nome de registro.
- CRM. O número de inscrição seguido da UF, por exemplo o número e a sigla do estado separados por barra.
- Data de Inscrição e Primeira inscrição na UF.
- Inscrição. O tipo: principal, secundária, provisória, provisória secundária ou de estudante médico estrangeiro.
- Situação. Entre as inscrições ativas, a consulta usa rótulos como Regular, Inoperante, Interdição cautelar parcial, Suspenso parcial e Sem o exercício da profissão na UF. Entre as inativas, rótulos como Aposentado, Cancelado, Cassado, Falecido, Suspenso total e Transferido.
- Especialidades/Áreas de Atuação. A lista do que está registrado, com o número de RQE. Quando não há nada registrado, aparece o texto Médico sem especialidade registrada.
- Formação. Em muitos registros aparecem a instituição de graduação e o ano de formatura. Para diploma estrangeiro, a instituição que revalidou.
A página também explica três formatos de número. Número seguido da letra P é inscrição provisória feita em cumprimento de liminar. Número precedido da sigla EME é inscrição de estudante médico estrangeiro. Número precedido de 300 é inscrição de médico estrangeiro com visto provisório.
Como comparar com o anúncio
A Resolução CFM nº 2.336/2023 lista o que toda peça de publicidade médica deve trazer (art. 4º): o nome, o número de registro no CRM onde o médico exerce a medicina, acompanhado da palavra MÉDICO, e a especialidade ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do número do RQE. Em redes sociais, blogs e sites, esses dados devem estar na página principal do perfil (art. 6º). O manual do CFM esclarece que basta estarem na bio, mas que a peça compartilhada em outros perfis ou em aplicativos de mensagem precisa trazer os dados na própria publicação.
Com o anúncio ao lado da consulta, a comparação costuma ser direta:
- o CRM anunciado existe, na UF anunciada, com o mesmo nome;
- cada especialidade anunciada aparece no campo Especialidades/Áreas de Atuação;
- o número de RQE do anúncio é o mesmo da consulta;
- o médico com título de especialista anuncia no máximo duas especialidades, mais as áreas de atuação ligadas a elas, que é o limite do art. 13 da resolução.
O Código de Ética Médica também trata disso. O art. 114 veda anunciar especialidade ou área de atuação para a qual o médico não esteja qualificado e registrado no CRM, e o art. 117 veda deixar de incluir nos anúncios o nome, o número no CRM com a UF e o RQE quando anunciar a especialidade.
Pós-graduação não é especialidade
Uma fonte comum de confusão é a pós-graduação. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite que o médico divulgue pós-graduação lato sensu ou stricto sensu cadastrada no CRM, mas no formato MÉDICO com pós-graduação em (área), seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta. A página da CME do CFM reforça que o certificado acadêmico de especialização não se confunde com título de especialista e não dá direito a RQE.
Se o anúncio fala em pós-graduação e traz a expressão NÃO ESPECIALISTA, ele está no formato previsto. O que a regra não admite é apresentar a pós-graduação como se fosse especialidade.
Quando o resultado não bate com o anúncio
Antes de tirar qualquer conclusão, vale conferir de novo os dados da busca. Alguns motivos comuns de divergência:
- UF diferente. O médico pode ter inscrição em mais de um estado. A Lei nº 3.268/1957 (art. 18) obriga a inscrição secundária quando o médico passa a exercer a medicina em outra região por mais de 90 dias. Busque também na UF onde ele atende.
- Nome. Nome social, nome de casado ou abreviações mudam o resultado. A busca pelo número do CRM costuma ser mais precisa.
- Área de atuação. O anúncio pode citar uma área de atuação, não uma especialidade. As duas aparecem no mesmo campo. Veja a diferença entre especialidade e área de atuação.
Se, depois disso, a especialidade anunciada não aparece, este site não faz julgamento do caso. Quem apura publicidade médica é a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) de cada CRM, e o caminho está em como denunciar médico no CRM. A falta de RQE também não impede ninguém de ser médico: o que muda é o que ele pode anunciar, como explica a página sobre médico sem RQE.
Outras consultas oficiais
A AMB mantém uma consulta de títulos de especialista no próprio site, com campos de CPF, nome, CRM e número do registro. Ela mostra o título concedido pelo sistema AMB e sociedades. O título, porém, só vira RQE depois de registrado no CRM, e é o RQE que as normas de publicidade exigem. Por isso a consulta do CFM é a referência para saber se o médico pode se anunciar especialista.
Para o número do CRM em si, com os tipos de inscrição e as situações possíveis, veja como consultar o CRM de um médico.
Como este site usa a mesma consulta
Os perfis de médico deste site só existem por cadastro voluntário, e o CRM e cada RQE exibidos são conferidos manualmente nessa mesma consulta pública do CFM, com a data da conferência no perfil. O processo está descrito em como verificamos CRM e RQE. Mesmo assim, o selo daqui não substitui a consulta oficial: ela é a fonte, e está sempre a um clique.
Este conteúdo é informativo, produzido a partir de fontes públicas listadas abaixo, e não substitui a avaliação de um profissional. Cada caso é avaliado individualmente: procure um profissional ou serviço de saúde.
Dúvidas frequentes
Como saber se o médico é especialista?
Pela consulta pública de médicos do CFM. Busque pelo nome ou pelo CRM, com a UF, e veja o campo Especialidades/Áreas de Atuação. Para as normas do CFM, é especialista quem tem a especialidade registrada no CRM, com número de RQE.
A consulta do CFM é gratuita?
Sim. A busca por médicos fica aberta no portal do CFM, sem cadastro. O formulário pede a UF e, em geral, o nome ou o número do CRM.
O que quer dizer Médico sem especialidade registrada?
É o texto que a consulta mostra quando não há especialidade registrada no CRM daquele médico. Ele continua sendo médico e pode exercer a medicina; o que ele não pode é anunciar-se especialista. A página sobre médico sem RQE, nesta seção, explica a diferença.
Onde o médico tem de mostrar o RQE?
Nas peças de publicidade, junto da especialidade anunciada (Resolução CFM nº 2.336/2023, art. 4º). Em redes sociais e sites, os dados obrigatórios devem estar na página principal do perfil, a chamada bio.
Pós-graduação em uma área faz do médico um especialista?
Não. Pela Resolução CFM nº 2.336/2023, quem tem pós-graduação cadastrada no CRM pode divulgá-la, seguida da expressão NÃO ESPECIALISTA em caixa alta. Especialista é quem tem RQE.
Fontes consultadas
- Busca por médicos, consulta pública do Conselho Federal de MedicinaConsultado em 28/09/2026
- Comissão Mista de Especialidades (CME): conceitos, RQE e especialização lato sensu, página do CFMConsultado em 28/09/2026
- Resolução CFM nº 2.336/2023 (publicidade médica), Diário Oficial da União de 13/09/2023Consultado em 28/09/2026
- Manual de publicidade médica do CFM: perguntas e respostasConsultado em 28/09/2026
- Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), capítulo XIIIConsultado em 28/09/2026
- Lei nº 3.268/1957, arts. 17 e 18 (inscrição no CRM)Consultado em 28/09/2026
- Consulta de título de especialista, Associação Médica BrasileiraConsultado em 28/09/2026