O hematologista é o médico especialista em sangue. O nome oficial da especialidade na relação do Conselho Federal de Medicina é hematologia e hemoterapia, e as duas palavras mostram as duas metades do campo. A hematologia estuda o sangue, os órgãos que o produzem, como a medula óssea, e os que participam da defesa e da filtragem, como linfonodos e baço, além da coagulação. A hemoterapia cuida do sangue e de seus componentes quando usados em transfusão, da coleta ao uso.
A especialidade consta da relação homologada pela Resolução CFM nº 2.380/2024 e dá acesso a quatro áreas de atuação, entre elas o transplante de medula óssea. Nesta página estão o escopo em termos gerais, a formação reconhecida, as áreas vinculadas e o modo de conferir o registro. Não há aqui orientação sobre exame, resultado ou tratamento.
O que a hematologia e hemoterapia abrange
O escopo pode ser descrito em cinco frentes gerais:
- células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas;
- medula óssea, o tecido onde essas células são produzidas;
- sistema linfático, com linfonodos e baço;
- coagulação, o equilíbrio entre sangrar e coagular;
- hemoterapia, isto é, o sangue e os hemocomponentes destinados à transfusão.
As condições desses grupos podem ser benignas ou malignas, e as malignas costumam envolver trabalho conjunto com a oncologia. Na rede pública, a entrada no sistema costuma ser pela atenção primária, que o Ministério da Saúde descreve como o primeiro nível de atenção e principal porta de entrada do SUS. Quem define o caminho de cada caso é a avaliação profissional.
As quatro áreas de atuação vinculadas
A Resolução CFM nº 2.380/2024 vincula à hematologia e hemoterapia estas áreas de atuação, com a formação prevista entre parênteses:
- Hematologia e hemoterapia pediátrica (2 anos), dividida com a pediatria.
- Oncogenética (1 ano), aberta a dez especialidades, entre elas genética médica e oncologia clínica.
- Oncologia pediátrica (2 anos), dividida com oncologia clínica e pediatria.
- Transplante de medula óssea (1 ano), a única das quatro que aceita apenas o título em hematologia e hemoterapia.
Uma área de atuação não é uma especialidade menor, e sim uma qualificação que se acrescenta a uma especialidade já obtida, com registro próprio no CRM. Por isso o transplante de medula óssea, por exemplo, aparece na consulta do CFM em campo separado da especialidade. A explicação completa está em diferença entre especialidade e área de atuação.
As 4 áreas ligadas à hematologia e hemoterapia
anos de formação de cada área e quantas especialidades dão acesso a elaFormação: residência, título e RQE
O Decreto nº 8.516/2015 estabelece que o título de especialista é o concedido pelas sociedades de especialidade por meio da AMB ou pelos programas de residência médica credenciados pela CNRM.
O anexo da Resolução CFM nº 2.380/2024 detalha, para esta especialidade:
- Formação: 2 anos.
- Residência: Programa de Residência Médica em Hematologia e Hemoterapia, reconhecido pela CNRM.
- Título pela AMB: concurso do convênio entre a AMB e a Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, que na lista de filiadas da AMB aparece como Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).
A CNRM regula, supervisiona e avalia os programas de residência, e credencia, recredencia e descredencia as instituições que os oferecem, conforme o regimento interno aprovado pela Resolução CNRM nº 3/2026. O percurso da residência está em o que é residência médica, e o do concurso em título de especialista: como funciona.
A matriz de competências da residência em hematologia e hemoterapia foi aprovada pela Resolução CNRM nº 15, de 6 de julho de 2021, para os programas iniciados a partir de 2022. O texto fixa o acesso com pré-requisito em clínica médica e mantém os dois anos. Os objetivos específicos incluem, na parte da hemoterapia, a seleção de doadores e as bases da gestão de unidades de hemoterapia conforme as normas vigentes, e o segundo ano pede a produção de um artigo científico ou monografia.
Com o certificado ou o título, o médico pede o registro da especialidade no CRM, que atribui o número de RQE. A Resolução CFM nº 2.336/2023, no art. 13, considera especialista quem apresenta RQE e manda divulgar a especialidade registrada com o número; pós-graduação divulgada vem acompanhada da expressão "não especialista".
Como conferir o RQE de um hematologista
- Abra a consulta pública de médicos do CFM.
- Busque pelo nome do médico ou pelo número do CRM, informando a UF.
- Em Especialidades, confira se aparece hematologia e hemoterapia com o número de RQE.
- Em Áreas de atuação, confira transplante de medula óssea, oncologia pediátrica ou outra área que o médico divulgue.
Termos como "onco-hematologista" ou "hemoterapeuta" não aparecem como especialidade na busca: o registro mostra hematologia e hemoterapia. Para entender o número, veja o que é RQE; para o roteiro completo, como saber se o médico é especialista.
Onde encontrar
No diretório por estado e cidade, cada cidade lista médicos que se cadastraram e tiveram CRM e RQE conferidos, clínicas e estabelecimentos do SUS registrados no CNES. A ordem da lista é fixa, sem critério de preço ou de avaliação.
Especialidades que dividem assuntos com a hematologia: oncologia clínica, patologia clínica/medicina laboratorial e clínica médica.
Este conteúdo é informativo, produzido a partir de fontes públicas listadas abaixo, e não substitui a avaliação de um profissional. Cada caso é avaliado individualmente: procure um profissional ou serviço de saúde.
Buscar hematologista, clínicas e serviços do SUS por cidade
a lista de cada cidade começa pelas clínicas e pelos serviços do SUSEspecialidades próximas
dado da Resolução CFM nº 2.380/2024Dúvidas frequentes sobre o hematologista
O que faz um hematologista?
É o médico com RQE em hematologia e hemoterapia. A especialidade se ocupa do sangue, dos órgãos que o produzem e o filtram e dos mecanismos de coagulação, além da transfusão de sangue e de seus componentes. O formato de cada atendimento depende do caso e da avaliação profissional.
O que o hematologista trata?
Em termos gerais, condições das células do sangue, da medula óssea, dos linfonodos e do baço, e alterações da coagulação, benignas ou malignas. Se um caso cabe nessa especialidade é a avaliação profissional que define, e o caminho costuma começar na atenção primária.
Qual a diferença entre hematologista e hemoterapeuta?
No registro do CFM, nenhuma: hematologia e hemoterapia é uma especialidade só, com um título e um RQE. Hemoterapia é a parte dedicada ao sangue usado em transfusão, e há médicos que concentram a prática nela, por exemplo em serviços de hemoterapia.
O que é onco-hematologista?
É um nome de uso corrente, não uma especialidade ou área de atuação da Resolução CFM nº 2.380/2024. O termo costuma se referir ao hematologista que se dedica às condições malignas do sangue; no registro, o que aparece é a especialidade hematologia e hemoterapia.
Hematologista tem RQE?
Tem, quando a especialidade está registrada no CRM. Pela Resolução CFM nº 2.336/2023, é considerado especialista quem apresenta RQE, e o número acompanha a especialidade na publicidade. Veja o que é RQE.
Fontes consultadas
- Resolução CFM nº 2.380/2024, que homologa a Portaria CME nº 1/2024 (Diário Oficial da União, 24/06/2024)Consultado em 28/09/2026
- Resolução CNRM nº 3/2026, regimento interno da Comissão Nacional de Residência Médica (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026
- Decreto nº 8.516/2015, que regulamenta o Cadastro Nacional de EspecialistasConsultado em 28/09/2026
- Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)Consultado em 28/09/2026
- AMB: sociedades de especialidade filiadasConsultado em 28/09/2026
- Resolução CFM nº 2.336/2023, art. 13, no manual de publicidade médica do CFMConsultado em 28/09/2026
- Consulta pública de médicos do CFMConsultado em 28/09/2026
- Ministério da Saúde: Atenção Primária à SaúdeConsultado em 28/09/2026
- Resolução CNRM nº 15/2021, matriz de competências da residência em Hematologia e Hemoterapia (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026