A cirurgia oncológica é uma especialidade relativamente nova no quadro oficial. Ela passou a figurar como especialidade médica em 2017, e hoje está na relação homologada pela Resolução CFM nº 2.380/2024, com título próprio e RQE próprio no Conselho Regional de Medicina. O cirurgião oncológico é o médico que concluiu essa formação e registrou o título.
Antes disso, a formação cirúrgica voltada ao câncer existia com outro nome. A Resolução CNRM nº 10/2019, que aprovou a matriz de competências da residência, determinou que os programas antes chamados de cancerologia ou cancerologia cirúrgica passassem a se chamar residência em cirurgia oncológica, alinhando o nome do programa ao nome da especialidade.
O que a cirurgia oncológica abrange
A matriz da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) descreve o objetivo da formação como capacitar o médico para o diagnóstico e o tratamento cirúrgico das afecções oncológicas, conhecendo também as opções não operatórias. Em termos gerais, o campo inclui:
- tumores com indicação cirúrgica, em diferentes órgãos e sistemas;
- biologia tumoral e epidemiologia do câncer, que a matriz inclui como base de conhecimento;
- atendimento individual e coletivo, com ações de promoção, prevenção e recuperação nos diferentes níveis de atenção;
- trabalho em equipe interdisciplinar e multiprofissional, que a matriz destaca de forma explícita;
- o período perioperatório, com anatomia cirúrgica, nutrição e resposta do organismo à cirurgia.
Por atravessar vários órgãos, a especialidade faz fronteira com outras especialidades cirúrgicas de território definido, como a cirurgia de cabeça e pescoço, a mastologia e a cirurgia do aparelho digestivo. Quem conduz cada situação é definido na avaliação profissional, e o acesso ao sistema de saúde costuma começar na atenção primária.
Cirurgião oncológico e oncologista clínico
Nas buscas, "oncologista" costuma ser usado para os dois, mas a Resolução CFM nº 2.380/2024 separa as especialidades: a cirurgia oncológica, de formação cirúrgica, com 3 anos depois da base em cirurgia geral, e a oncologia clínica, também com 3 anos de formação prevista na mesma resolução. São dois títulos e dois RQE distintos, e ter um deles não significa ter o outro. Na relação de áreas de atuação, a medicina paliativa e a oncogenética aceitam as duas como requisito.
Áreas de atuação vinculadas
Duas áreas de atuação aceitam o título em cirurgia oncológica como requisito:
- Medicina paliativa, com 2 anos de formação, aberta a especialidades como anestesiologia, clínica médica, geriatria, oncologia clínica e pediatria;
- Oncogenética, com 1 ano de formação, que aceita dez especialidades como requisito, entre elas genética médica, mastologia, coloproctologia e oncologia clínica.
A área de atuação, na definição do CFM, deriva de uma ou mais especialidades e tem certificado e RQE próprios. Ela não é uma especialidade à parte. A página sobre a diferença entre especialidade e área de atuação explica como ler os dois registros.
As 2 áreas ligadas à cirurgia oncológica
anos de formação de cada área e quantas especialidades dão acesso a elaFormação do cirurgião oncológico
A Resolução CFM nº 2.380/2024 prevê 3 anos de formação para o título, por um destes caminhos:
- Residência médica em cirurgia oncológica, credenciada pela CNRM. A Resolução CNRM nº 10/2019 registra três anos de duração, com acesso por pré-requisito em cirurgia geral ou no programa de pré-requisito em área cirúrgica básica. A matriz organiza as competências por ano, do R1 ao R3.
- Concurso do convênio AMB com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), sociedade filiada à Associação Médica Brasileira, que divulga a prova de título no próprio site.
Somando a residência de base, o caminho pela residência tem ao menos duas etapas. O concurso da AMB, segundo os normativos da Comissão Mista de Especialidades no portal do CFM, pede no mínimo dois anos de formado e inscrição não provisória no CRM. Especialização lato sensu não se confunde com título de especialista. O funcionamento dos programas está em o que é residência médica.
Do título ao RQE
O título, emitido pela CNRM ou pela AMB, é registrado no CRM, que emite o RQE em cirurgia oncológica. Só títulos reconhecidos pela Comissão Mista de Especialidades são registrados. Com o RQE, o médico é considerado especialista e pode divulgar a especialidade, informando o número do registro.
Como conferir o RQE de um cirurgião oncológico
- Abra a busca por médicos no portal do CFM.
- Informe o nome ou o CRM e a UF.
- No resultado, confira se Cirurgia Oncológica aparece com número de RQE. A especialidade de base, como cirurgia geral, pode aparecer com outro número.
Se houver dúvida sobre o que aparece no registro, o CRM do estado é o canal para esclarecer. Quando nenhum RQE em cirurgia oncológica aparece, o título não está registrado, o que não afeta a inscrição do médico como médico. Veja como saber se o médico é especialista e o que é RQE.
Onde encontrar
Na página de médicos por estado e cidade estão médicos com CRM e RQE conferidos por cadastro voluntário, clínicas e estabelecimentos do SUS. Especialidades próximas: oncologia clínica, cirurgia de cabeça e pescoço e mastologia.
Este conteúdo é informativo, produzido a partir de fontes públicas listadas abaixo, e não substitui a avaliação de um profissional. Cada caso é avaliado individualmente: procure um profissional ou serviço de saúde.
Buscar cirurgião oncológico, clínicas e serviços do SUS por cidade
a lista de cada cidade começa pelas clínicas e pelos serviços do SUSEspecialidades próximas
dado da Resolução CFM nº 2.380/2024Dúvidas frequentes sobre o cirurgião oncológico
O que faz um cirurgião oncológico?
Pela matriz de competências da CNRM, é o especialista preparado para o diagnóstico e o tratamento cirúrgico das afecções oncológicas, conhecendo também as opções não operatórias. O que se aplica a cada caso é definido pela avaliação profissional, em geral em equipe.
Cirurgião oncológico e oncologista são a mesma coisa?
Não. Cirurgia oncológica e oncologia clínica são especialidades diferentes na Resolução CFM nº 2.380/2024, cada uma com título e RQE. Uma é cirúrgica; a outra, clínica.
Desde quando cirurgia oncológica é especialidade?
Desde 2017. A Resolução CNRM nº 10/2019 registra que a Resolução CFM nº 2.162/2017 homologou a portaria da Comissão Mista de Especialidades que estabeleceu a cirurgia oncológica como especialidade médica. Os antigos programas de cancerologia cirúrgica passaram a ter o nome atual.
Quanto tempo dura a residência em cirurgia oncológica?
Três anos, com pré-requisito em cirurgia geral ou no programa de pré-requisito em área cirúrgica básica, segundo a Resolução CNRM nº 10/2019.
Como conferir o RQE de um cirurgião oncológico?
Na busca por médicos do CFM, pesquise pelo nome ou CRM e veja se Cirurgia Oncológica aparece com número de RQE. Explicamos o registro em o que é RQE.
Fontes consultadas
- Resolução CFM nº 2.380/2024, relação de especialidades e áreas de atuação (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026
- Resolução CNRM nº 10/2019, matriz de competências da residência em Cirurgia Oncológica (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)Consultado em 28/09/2026
- Normativos da Comissão Mista de Especialidades (CFM)Consultado em 28/09/2026
- Busca por médicos (CFM)Consultado em 28/09/2026