A cirurgia cardiovascular divide com a neurocirurgia o posto de formação mais longa da relação de especialidades do CFM: 5 anos de residência, com acesso direto, logo depois da graduação. É o cirurgião cardiovascular quem opera o coração e os grandes vasos que saem dele. A especialidade consta da Resolução CFM nº 2.380/2024, e o título registrado no CRM gera um RQE com esse nome.
O público costuma confundir três especialistas que lidam com o sistema circulatório: o cardiologista, o cirurgião cardiovascular e o cirurgião vascular. A diferença entre eles está na abordagem (clínica ou cirúrgica) e no território (coração ou circulação periférica), e cada um tem o seu título. Esta página explica a cirurgia cardiovascular e aponta para as outras duas.
O que a cirurgia cardiovascular abrange
A matriz de competências da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) resume o objetivo da formação como habilitar o médico a atuar nas doenças estruturais cardiovasculares. Em termos gerais, o campo inclui:
- as cardiopatias que podem ter indicação cirúrgica, congênitas ou adquiridas;
- as lesões do coração e dos grandes vasos, estudadas pela morfopatologia e pela fisiopatologia;
- a avaliação de risco operatório e a decisão sobre a operabilidade, feita em conjunto com a análise clínica e de imagem;
- o período perioperatório, do preparo antes da cirurgia às complicações depois dela;
- o material e os equipamentos próprios da especialidade.
A matriz também destaca a epidemiologia das doenças cardiovasculares e a pesquisa científica. A indicação de cirurgia não sai de um texto: é decidida pela equipe, a partir da avaliação de cada pessoa. O caminho no sistema de saúde, em geral, começa na atenção primária.
Três especialidades, três RQE
- Cardiologia: abordagem clínica, voltada ao coração e ao sistema cardiovascular, com 2 anos de formação na Resolução CFM nº 2.380/2024.
- Cirurgia cardiovascular: abordagem cirúrgica, voltada ao coração e aos grandes vasos, com 5 anos de formação.
- Cirurgia vascular: abordagem cirúrgica, voltada à circulação periférica, com 2 anos de formação.
Na cardiologia e na cirurgia vascular, os 2 anos vêm depois de uma residência de base (clínica médica para a primeira, cirurgia geral ou área cirúrgica básica para a segunda). Na cirurgia cardiovascular, os 5 anos são contados desde o início. Veja as páginas de cardiologia e de cirurgia vascular.
Área de atuação vinculada
A Resolução CFM nº 2.380/2024 aceita o título em cirurgia cardiovascular como requisito para uma área de atuação: estimulação cardíaca eletrônica implantável, com 1 ano de formação. A mesma área também aceita cardiologistas. O concurso da AMB, nesse caso, é conjunto entre a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.
Área de atuação é uma qualificação que nasce de uma ou mais especialidades, na definição do CFM, e tem certificado e RQE próprios. Ela não substitui o título de base. A página sobre a diferença entre especialidade e área de atuação detalha.
A área ligada à cirurgia cardiovascular
anos de formação da área e quantas especialidades dão acesso a elaFormação: por que 5 anos
A Resolução CNRM nº 2/2019 conta a mudança: em 2017, a plenária da CNRM aprovou a passagem da formação de 4 para 5 anos, sem a necessidade de pré-requisito em cirurgia geral. Desde então, os programas de residência em cirurgia cardiovascular têm cinco anos de treinamento em serviço e acesso direto. A matriz organiza a progressão ano a ano, começando pelos fundamentos e pelos métodos diagnósticos e avançando para as técnicas operatórias de maior complexidade.
Os dois caminhos para o título, pela Resolução CFM nº 2.380/2024, são:
- residência médica em cirurgia cardiovascular, credenciada pela CNRM, com os 5 anos descritos acima;
- concurso do convênio AMB com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), sociedade filiada à Associação Médica Brasileira.
Para o concurso da AMB, os normativos da Comissão Mista de Especialidades, no portal do CFM, exigem pelo menos dois anos de formado e inscrição não provisória no CRM. Curso de pós-graduação lato sensu não dá título de especialista. Veja o que é residência médica para o contexto.
Do título ao RQE
Concluída a residência ou aprovado o concurso, o médico registra o título no CRM e recebe o RQE em cirurgia cardiovascular. Os CRMs registram apenas títulos reconhecidos pela Comissão Mista de Especialidades e emitidos pela AMB ou pela CNRM. É o RQE que autoriza o médico a se apresentar como especialista, sempre com o número na divulgação.
Como conferir o RQE de um cirurgião cardiovascular
A consulta é feita na busca por médicos do Conselho Federal de Medicina. Digite o nome completo ou o CRM com a UF, e, no resultado, procure Cirurgia Cardiovascular com o número de RQE ao lado. Atenção ao nome exato: "cirurgia vascular" e "cardiologia" são outras especialidades e outros registros.
Sem o RQE, o título de especialista não consta no conselho, embora a inscrição como médico possa estar regular. O passo a passo está em como saber se o médico é especialista, e a explicação do registro em o que é RQE.
Onde encontrar
Na página de médicos por estado e cidade estão médicos com CRM e RQE conferidos por cadastro voluntário, clínicas e estabelecimentos do SUS. Especialidades relacionadas: cardiologia, cirurgia vascular e cirurgia torácica.
Este conteúdo é informativo, produzido a partir de fontes públicas listadas abaixo, e não substitui a avaliação de um profissional. Cada caso é avaliado individualmente: procure um profissional ou serviço de saúde.
Buscar cirurgião cardiovascular, clínicas e serviços do SUS por cidade
a lista de cada cidade começa pelas clínicas e pelos serviços do SUSEspecialidades próximas
dado da Resolução CFM nº 2.380/2024Dúvidas frequentes sobre o cirurgião cardiovascular
Cirurgião cardiovascular é o mesmo que cardiologista?
Não. São duas especialidades na Resolução CFM nº 2.380/2024, com títulos e RQE diferentes. A cardiologia é uma especialidade clínica; a cirurgia cardiovascular é cirúrgica, voltada às doenças estruturais do coração e dos grandes vasos.
Cirurgia vascular é o mesmo que cirurgia cardiovascular?
Também não. A cirurgia vascular cuida da circulação periférica e tem residência de 2 anos, depois da cirurgia geral ou da área cirúrgica básica. A cirurgia cardiovascular trabalha com o coração e os grandes vasos e tem residência de 5 anos, de acesso direto.
O que trata o cirurgião cardiovascular?
Em termos gerais, as doenças estruturais cardiovasculares, como define a matriz de competências da CNRM: lesões do coração e dos vasos que podem ter indicação cirúrgica. A indicação, em cada caso, é decidida na avaliação profissional.
Quanto tempo leva para ser cirurgião cardiovascular?
A residência tem 5 anos, com acesso direto, sem residência prévia em cirurgia geral, conforme a Resolução CNRM nº 2/2019. A Resolução CFM nº 2.380/2024 registra os mesmos 5 anos para o título.
Como conferir o RQE de um cirurgião cardiovascular?
Na busca por médicos do CFM, pesquise pelo nome ou pelo CRM e veja se Cirurgia Cardiovascular aparece com número de RQE. Mais em o que é RQE.
Fontes consultadas
- Resolução CFM nº 2.380/2024, relação de especialidades e áreas de atuação (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026
- Resolução CNRM nº 2/2019, matriz de competências da residência em Cirurgia Cardiovascular (Diário Oficial da União)Consultado em 28/09/2026
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV)Consultado em 28/09/2026
- Normativos da Comissão Mista de Especialidades (CFM)Consultado em 28/09/2026
- Busca por médicos (CFM)Consultado em 28/09/2026